A casa de campo é amarela e rodeada por um jardim florido. Atrás tem um grande campo de cultivo, com árvores de frutos e uma horta. Tem também um galinheiro e animais para consumo. Ela não é grande, mas é o ideal para a nossa reforma.
Os meninos já cresceram e formaram as suas próprias famílias e nós não vimos necessidade de ficar no apartamento que tínhamos. Vendemo-lo e concretizarmos o nosso sonho de ter uma casa no campo.
Na parte de trás da casa tenho um alpendre com uma cadeira de baloiço e é aqui que leio, escrevo e relembro a minha vida de escritora. Coloco a mão sobre os meus livros editados e no meu coração só sinto gratidão.
Lá ao longe vejo o meu marido que me acena e faz um gesto com as mãos em forma de coração, ao qual eu retribuo com um beijo soprado na sua direção. O amor da minha vida, meu companheiro e grande amigo está a cultivar alfaces " É o tempo delas, amor!" disse-me ele momentos antes com um sorriso no rosto.
Os meus filhos e os dele, os nossos marmelinhos, vêm nos visitar este fim de semana e com eles vêm a alegria, o barulho é as brincadeiras dos nossos netos. Eles adoram estar na casa amarela dos avós, palavras deles que vão dizendo aos pais. Acredito pois aqui eles têm o tempo do mundo, aqui não há trabalhos de casa, aqui não há admoestação por asneiras que tenham feito. Esse papel é para os pais, nós, avós já passamos por isso e agora só os queremos mimar. "Peguem lá uns chocolatinhos" aos quais os pais sorriem e agradecem.
Os meus filhos e os meus netos, aqui sentem-se livres, leves e podem libertar as crianças que têm dentro de si.
Adoro a casa de campo amarela e não a trocaria por nenhuma outra.































